Informações e Tendências do Cooperativismo de Crédito

Agora é real: cooperativas financeiras podem captarem recursos de municípios

Prefeituras capixabas saem na frente e abrirem suas contas

A Lei Complementar 161/2018 foi sancionada pelo Presidente da República e publicada no Diário Oficial da União de 5 de janeiro. Essa decisão soma aos serviços anteriormente prestados ao poder público municipal – arrecadação de tributos e pagamento da folha de proventos dos servidores – o recebimento de depósitos de prefeituras e órgãos e entidades/empresas controladas pelos municípios e a gerir os recursos do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), oriundos do recolhimento de 2,5% sobre a folha de salários das cooperativas dos diferentes ramos (§ 8º do art. 2º da LC 130).

Desse modo, prefeituras podem, por exemplo, realizar o pagamento dos servidores públicos municipais diretamente nas cooperativas, revogando o parágrafo 3º, do artigo 164, da Constituição Federal, que determina que esses recursos só poderiam ser depositados em bancos oficiais. A única atividade que ainda não é permitida às cooperativas de crédito na relação com as prefeituras é a concessão de empréstimos, uma vez que permanece desautorizada a associação dos municípios.

Francisco Reposse Junior (Diretor Operacional do Sicoob Confederação), Luizmar Mielk (Secretário de Administração de São Gabriel da Palha), Elmir Ton (Gerente da Agência do Sicoob de São Gabriel Leonardo), Luiz Bragato (Prefeito em Exercício de São Gabriel da Palha), Rosa Maria Caser Venturim (Secretaria de Educação, Cultura e Esportes de São Gabriel da Palha), Nivaldo Mauri (Diretor-executivo do Sicoob Norte), Francisco Giovanni C. Venturim (Gerente da Agência de Nova Venécia), Bento Venturim (Presidente do Sicoob Norte)

Sescoop

A Lei Complementar 161/2018 também autoriza as cooperativas e seus bancos cooperativos autorizados a gerirem as disponibilidades financeiras do Sescoop, cujos recursos são advindos do recolhimento de 2,5% sobre a folha de salários das cooperativas dos diferentes ramos. Anteriormente, esse procedimento só poderia ser realizado pelos bancos federais.

Estabelece, ainda, que se o recebimento de depósitos for acima do limite assegurado pelo Fundo Garantidor do Cooperativismo – FGCoop, atualmente de R$ 250 mil, dependerá de futura regulamentação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que, por proposição do Banco Central do Brasil, irá fixar requisitos prudenciais para tanto.

Pioneiras

A publicação da Lei Complementar 161/2018 no DOU aconteceu na sexta-feira e já na segunda-feira, 8 de janeiro, as prefeituras capixabas de São Gabriel da Palha e de Venda Nova do Imigrante, abriram suas contas no Sicoob ES e no Sicoob Norte e no Sicoob Sul-Serrano, respectivamente.

Em 10 de janeiro, foi a vez de o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Espírito Santo (Sescoop/ES) torna-se a primeira instituição do segmento no País a iniciar uma conta em uma cooperativa de crédito, mais especificamente do Sicoob na Enseada do Suá, em Vitória.


Internacional

 Cecred faz palestra em seminário no Equador

O Seminario de Experiencias en Medios de Pago Electrónicos en America Latina y el Caribe, que aconteceu em Quito, no Equador, em 27 ne 28 de novembro, contou com apresentação de Marcio Obata, diretor de Controladoria da Cecred, atendendo a convite feito pela Confederação das Cooperativas da Alemanha (DGRV).

A participação de Obata aconteceu no segundo dia do seminário, para os mais de 200 representantes de cooperativas de crédito do Equador reunidos em Quito, e foi focada na experiência da entidade ao implementar o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e a compensação própria.

Para Obata, a apresentação contribuiu para o debate sobre as práticas do setor na América Latina e demonstrou as particularidades do Brasil em relação aos demais países da região. “O modelo que adotamos aqui como meio de pagamento é bastante avançado e garante autonomia para as cooperativas de crédito. Desse modo, contribuímos para o debate das entidades que estavam presentes, pois com o SPB o País ingressou no grupo daqueles em que transferências de recursos podem ser processadas em tempo real, reduzindo os riscos de liquidação nas operações interbancárias, com consequente redução também do risco sistêmico, evitando que a quebra de uma instituição financeira provoque o efeito dominó, caracterizado pela quebra em cadeia de outras”.​

A oportunidade de mostrar que o sistema cooperativista se esforça cada vez mais para crescer de forma sustentável, apoiando a economia dos países em que está inserido, segundo Obata, foi um dos destaques do evento: “A intercooperação é uma das formas pelas quais se pratica o valor da solidariedade e isso nos motivou a estarmos presentes no evento do Equador. Pudemos contribuir e apoiar entidades coirmãs que estão em busca de desenvolvimento, de outros ramos ou até de outros países”, destaca.

A Cecred foi a única cooperativa brasileira presente.


Diretor da Unicred vai a Londres para conferência da RBR

Sua certeza após os debates: Cooperativismo por si só é o grande propósito

Organizado pela Reital Banking Reserarch (RBR) – empresa inglesa líder no fornecimento de serviços estratégicos de pesquisa e consultoria para organizações das áreas de automação bancária e varejista, cartões e pagamentos –, o Branch Transformation 2017, aconteceu em Londres, nos dias 24 e 25 de outubro de 2017. A adoção em massa de serviços digitais que transforma as relações comerciais e o desafio de entender e engajar esse novo e exigente público, melhorar a experiência do cliente e reduzir custos foram temas debatidos na conferência.

Entre os mais de 800 participantes, Marcelo Vieira Martins, diretor-executivo da Unicred União, um dos poucos brasileiros presentes e o único representante de cooperativa de crédito brasileira, e talvez do mundo, pois não identificou nenhuma outra na lista de inscritos.

Os temas debatidos comprovaram, segundo Martins, a vanguarda do cooperativismo, ampliando a percepção do diretor da Unicred União de que as cooperativas de crédito precisam, em sua divulgação, dar mais foco aos princípios e propósitos cooperativistas, do que aos produtos. “Isso fará a diferença’, garantiu.

Durante os dois dias, palestrantes de renome internacional apresentaram estudos de caso e as melhores práticas de bancos líderes, enfocaram transformação de filiais para o cliente de banco corporativo, uso da inteligência artificial, as formas de ampliar os relacionamentos e o formato da agência do futuro que poderá integrar cafeteria, espaço para bicicletas, área para animais, com ração.

No entanto, Martins se surpreendeu foi em ouvir de um grupo de gestores de áreas de administração de recursos e desenvolvimento de produto e agências, expressões como “visão holística e união de propósitos, pois os bancos estão cientes de que precisam mostrar seus propósitos aos possíves clientes, aumentando sua carteira e fidelizando os clientes pela convergência de propósitos entre eles. Esse tema, para os bancos que estavam no evento, é mais importante do que como será a agência do futuro e se ela existirá. O ponto principal é desenvolver um valor de conexão com o cliente”.

O diretor-executivo da Unicred União chegou em Londres para ouvir sobre os temas em debate aqui, totalmente convergentes com os assuntos tratados na conferência. No entanto, na bagagem de volta, trouxe novidades e a certeza de que “esta não é a nossa principal discussão. O discurso deve estar vinculado ao nosso posicionamento de propósitos no mercado. E cooperativismo por si só é o grande propósito. Vi os bancos sonhando em ser como uma cooperativa, tendo as pessoas como centro das atenções, discutindo economia colaborativa. O cooperativismo tem uma vantagem natural e imediata pela essência, por ser colaborativo – e os bancos daqui também começarão em breve a falar sobre isso. Como cooperativas impactamos na comunidade por sermos colaborativos, e o banco ainda não tem isso. Precisamos aproveitar essa vantagem competitiva para fortalecer o cooperativismo de crédito”.


Bancoob agora repassa recursos do FNO

Belém (PA), 19 de dezembro de 2017. Nessa ocasião, via convênio com o Banco da Amazônia, o Bancoob tornou-se a primeira instituição financeira do País autorizada a repassar recursos do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte), direcionados a financiamento de atividades produtivas de baixo impacto ambiental. O limite inicial estabelecido pelo BASA ao Bancoob é de R$ 40 milhões, com previsão de revisão junho de 2018.


Sicoob atinge R$ 89 bi em ativos totais

No terceiro trimestre de 2017, o Sicoob registrou salto de 20,7% em ativos totais, chegando a R$89,4 bilhões. As operações de crédito somaram R$40,7 bilhões, alta de 8,4%, e os depósitos totais registraram aumento de 21,6%, atingindo R$56,5 bilhões., enquanto que os depósitos a prazo somaram R$38,2 bilhões, alta de 20%. Em relação aos depósitos à vista, o Sicoob cresceu 21%, com R$9,8 bilhões registrados.

Os depósitos na poupança também tiveram avanços se comparado ao ano de 2016, registrando R$3,7 bilhões, alta de 21,2%. O patrimônio líquido obteve alta de 13,9%, passando dos R$15,7 bilhões alcançados no ano passado para R$17,9 bilhões registrados em setembro de 2017. Já o resultado acumulado dos nove primeiros meses do ano foi de R$2,1 bilhões, avanço de 16,3% se comparado a igual período de 2016, quando o saldo foi de R$1,8 bilhão.

Além disso, no período de setembro de 2016 a setembro de 2017, o Sistema disponibilizou 147 novas agências aos seus cooperados.


 

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