Mulheres são protagonistas no cooperativismo

No mundo feminino existem várias funções que, diariamente, a mulher desenvolve, sendo elas de natureza social, pessoal ou corporativa. Que o dia a dia da mulher é desafiador e corrido não temos dúvidas, mas sabemos que fazer parte de uma união e ter o sentimento de pertenciamento pode facilitar as demandas. Por conta disto, cada vez mais, o mundo cooperativo conta com protagonistas feministas.

Além do setor ser fonte econômica de estabilidade e democracia, os valores e princípios cooperativistas atraem as mulheres ao setor por se basearem em ajuda mútua, responsabilidade social, democracia, igualdade, equidade e solidariedade, proporcionando ao cooperado o sentimento tão almejado de pertencimento.

Autonomia das mulheres

Segundo pesquisa feita pelo censo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é cada vez maior o número de mulheres chefes, dirigentes de família, representando mais de 25% das famílias brasileiras.

Conforme dados da OCB, FGV e do Sescoop, os números representantes da participação da mulher no cooperativismo demonstravam que no quadro de empregados das cooperativas, 40% dos cooperados são mulheres.

Cargos antes de posições exclusivamente masculinas, passaram a ser desempenhados também por mulheres. As cooperativas exercem o empoderamento das cooperadas de forma democrática e inclusiva, permitindo a elas condições reais de igualdade perante os demais membros. A sociedade ganha muito quando a inserção da mulher é aplicada em seus setores.

Maior espaço para elas

As cooperativas são organizações dinâmicas que interagem homens e mulheres das mais variadas profissões e setores da economia. Embora seja um ambiente majoritariamente masculino, as mulheres estão conquistando espaço, voz, voto e cargos de comando. Entre os 2,1 milhões de associados, cerca de 800 mil são mulheres.

A verdade é que as cooperativas estão, realmente, abrindo espaços para elas. Dirigentes e cooperados querem a permanente participação da mulher nas assembleias, nos comitês, nos grupos de estudo, nos cursos e treinamentos e nos quadros diretivos. Isso é resultado das mudanças do papel social e econômico da mulher que ganha cada vez mais expressão no Brasil contemporâneo, sendo inexorável que ela assuma atividades cada vez mais relevantes e ocupe cargos de maior complexidade. Em muitos ramos do cooperativismo elas já são dirigentes. Isso foi possível porque os cooperativistas valorizaram seu papel e criaram novas formas de participação, elevando a qualidade do relacionamento entre os quadros diretivos e a base cooperativada.

O que contribuiu para essa virada no cooperativismo das mulheres foi, simplesmente, a evolução dos tempos, de modo geral, mas também o reconhecimento de que a mulher é mais detalhista, metódica e leal aos princípios do cooperativismo, demonstra competência nos cargos que exerce, não falta às reuniões e estimula, por via de consequência, a participação do homem. Sua presença contribuiu para harmonizar as diferenças, atenuar as tensões, fortalecer os pontos de convergência e realçar os interesses comuns. A mulher está construindo gradativamente este engajamento, através de um processo de busca, participação e também por oportunidades criadas em muitas cooperativas
do Brasil.

Na aparência, o Ramo Crédito e o Ramo Saúde destacam-se na inserção das mulheres na gestão de cooperativas e também como cooperadas, mas não há estatísticas oficiais, com exceção de levantamento feito pelo Banco Central do Brasil sobre a presença das mulheres como associadas ao sistema financeiro cooperativo brasileiro. Os dados mais recentes desse Censo de Cooperados são de fevereiro de 2016 e mostram que 41% do universo é composto por mulheres, o que corresponde a pouco mais de 2,8 milhões de um total de cerca de 7 milhões de associados”.

Mas é no Ramo Agropecuário que as mulheres têm espaço garantido. Ênfase para o Estado de Santa Catarina que, em 2016, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC) – órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) – capacitou 994 mulheres no programa “Com Licença Vou à Luta (CLVL)”, voltado à gestão de negócios agropecuários com enfoque no empreendedorismo e na liderança.

“As mulheres têm um papel fundamental, tanto na família como na propriedade rural. O CLVL foi criado especialmente para que, a partir das noções de gestão, elas contribuam com a melhoria da administração das propriedades rurais”, observa Gilmar Antônio Zanluchi, superintendente do Senar/SC, lembrando que o intuito do programa é elevar a autoestima das mulheres para que despertem o potencial pessoal e profissional, proporcionando atividades que possibilitem a independência financeira, construindo a autoconfiança com reflexos na qualidade de vida.

Representante eleita

As cooperativas agropecuárias também contribuem para ampliar a presença das mulheres no movimento, a partir dos Núcleos Femininos.

A Cooperativa Agropecuária de Jacinto Machado iniciou os trabalhos com os Núcleos Femininos em 2011, nas comunidades de Tenente e Pinheirinhos, em Jacinto Machado. Associadas, esposas e filhas de sócio, com idade superior a 25 anos, podem participar. E o interesse é crescente, garante Elisabete Biz dos Santos, coordenadora social da Cooperja. “Começamos com 35 participantes e hoje temos 65 mulheres. Elas conquistaram mais espaço relacionado a atuação feminina na cooperativa, passaram a opinar”, relata.

O desenvolvimento desses grupos levou a Cooperja a criar um Comitê dos Núcleos Femininos e, neste ano, uma novidade: foi eleita uma represente do núcleo para o conselho administrativo da cooperativa.

“Estamos trabalhando a liderança da mulher e valorizando sua autoestima e seu potencial profissional, abrindo novas perspectivas para a mulher agricultora, levando-a a perceber que pode ser mais atuante no contexto cooperativo em que está inserida. O núcleo feminino mostra à mulher que ela tem autonomia e pode participar das decisões em casa, na comunidade ou na cooperativa”, fala Elisabete dos Santos, resumindo as atividades e os objetivos desses grupos. E reconhece: “Há muito ainda a ser trabalhado, mas, sem pressa, vamos conseguindo fazer com que a mulher perceba que ela é uma administradora do lar, da família, e têm força e aptidão para abrir os horizontes almejados”.

Em 2016, a Cooperativa Regional Itaipu recebeu a confirmação do Sescoop para a realização da primeira turma do Programa de Mulheres Cooperativistas. “Surgiu, então, o desafio da mobilização. Após convite, formamos um grupo com 38 participantes, pertencentes aos municípios de Pinhalzinho, Saudades, Bom Jesus do Oeste, Modelo, Serra Alta, Saltinho e Sul Brasil”, recorda a comunicadora da cooperativa, Gilda Schmidt Valente.

O trabalho teve início com formação, sensibilização e estímulo a conhecimento, habilidades e atitudes para melhor atuação feminina no quadro social da cooperativa, com carga horária de 104 horas.

Um ano se passou e – garante Gilda Valente – “estamos celebrando a conquista de nossos objetivos, que só foram alcançados devido ao apoio dos familiares dessas mulheres, que depositaram confiança e não mediram esforços para que elas conseguissem chegar até o final de uma caminhada marcada por muito aprendizado, autovalorização e mudanças de atitudes”.

Maio de 2017 marcou o início do segundo grupo – que envolveu apenas esposas e mulheres associadas do município de Pinhalzinho – mas as atividades já foram iniciadas.

“Estamos convidando cerca de 40 mulheres para participarem da capacitação, e a cooperativa objetiva, no futuro, formar um Núcleo Feminino em cada município de sua área de atuação”, informa a comunicadora, destacando que entre as concretizações está a elaboração do novo Regimento Interno, resultado de estudos e debates entre as componentes do próprio Núcleo. Hoje, o regimento está no setor jurídico da Cooperitaipu e posteriormente irá para o Conselho de Administração da cooperativa.

A cooperativa também inova ao colocar, todos os anos, na programação do Itaipu Rural Show, um dia voltado a elas, com salão de beleza, palestras e informativos sobre saúde da Mulher e um horto com mais de 120 variedades de plantas medicinais, que serve de modelo para região no repasse de mudas e informações sobre as plantas.

REPRESENTANTE FEMININA
Por mais que o cooperativismo defenda a igualdade entre todos os membros, quando o assunto é gestão em cooperativas e em organizações do sistema, a presença feminina ainda é pouco expressiva. Tomando como base a Organização das Cooperativas Brasileiras e seus braços estaduais, apenas uma mulher está à frente de uma OCE. Trata-se de Aureliana Rodrigues Luz, presidente do Sistema OCB-Sescoop/MA que, em maio de 2016, tornou-se a primeira mulher a ascender ao mais alto cargo na organização do cooperativismo em um Estado. Assistente Social e cooperativista há mais de 20 anos, é vinculada ao Sicoob e relaciona, em sua folha de serviços prestados ao movimento, a criação de duas cooperativas: uma de pescadores e marisqueiros e outra de trabalhos e serviços. No sistema que preside há quase um ano, Aureliana Luz exerceu inúmeros cargos, tendo passado pelo Conselho Fiscal, incluindo a coordenação, e pelo Conselho de Administração. Aureliana Luz entende que “a cada dia, a mulher toma mais espaço e vai tomando o lugar que deve ocupar na sociedade. Muitas ainda precisam tirar as vendas dos olhos, o véu, e assumir a sua posição de fato e de direito, o lugar dela que está lá, à disposição”. Pede às mulheres “que acordem e se coloquem mais à frente do cooperativismo”.

 

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