Novas regras criam novo cenário para a relação entre empregado e empregador

Em vigor desde 11 de novembro de 2017, a Reforma Trabalhista traz novidades e consolida práticas usuais que não estavam coerentes com a legislação em vigor, como o trabalho remoto. Esta, segundo os teóricos e especialistas no tema, é a maior e mais importante reforma na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), implementada em 1943. Em que pesem as opiniões contrárias, basicamente dos sindicalistas, e os pontos positivos são caracterizados, principalmente, pela adequação à realidade trabalhista do mundo atual.

“Por ser um conjunto de modificações que impactam, de forma significativa, toda a cadeia de trabalho, o resultado da sua implementação demorará ainda alguns meses para ser percebido na sua totalidade”, afirma Aruam Andriolo, sócio da Dex Advisors, frisando que “muitas definições precisam ainda ser ajustadas para gerar melhor resultado”.

Entre os pontos de maior impacto na Reforma Trabalhista, está a definição de jornadas de trabalho diferenciadas, condição, que, segundo especialistas e o próprio Governo, poderá ocasionar um aumento do emprego nas empresas, o que também é esperado com a oficialização do “home office” ou trabalho remoto, modalidade a ser ajustada e definida a em contrato entre o empregador e o empregado, irá facilitar a contratação de profissionais sem os custos adicionais atualmente previstos em lei (vale transporte, vale refeição, etc.).

Independentemente da lente usada para olhar a Reforma Trabalhista, um ponto é inquestionável: está legalmente oficializada uma nova forma de relacionamento entre empregado e empregador. Isso fica mais patente, ressalta Andriolo, no que diz respeito aos acordos realizados entre os empregadores e os empregadores, que “prevalecerão sobre a legislação trabalhista. Ou seja, cada categoria profissional poderá discutir suas reivindicações diretamente com as empresas de forma a estar em linha com os desejos dos trabalhadores”.

Trabalho remoto exige cuidados

Especialista em conteúdo da Evernote, Jessi Craige, entende a relação dos empregados e dos empregadores com o trabalho remoto como uma jornada, com o primeiro passo sendo relacionado à necessidade de entendimento, pelo trabalhador, de que “não é só uma questão da sua produtividade individual quando você não está em um escritório: é necessário também descobrir como trabalhar junto como uma equipe remota ou virtual”.

Nesse novo contexto, além na mudança da forma de se relacionar com o contratante, surge um outro ponto, que pode se tornar em barreira ou dificultar o processo daqueles profissionais menos afeitos a mudanças ou a trabalho em equipe, que – não se espantem – ainda existem.

Além de listar dicas para o trabalhador e o empregador (vide box), Craige recomenda aos líderes, “guiar, desenvolver e às vezes ter conversas difíceis com as pessoas que você lidera, tudo isso remotamente. Defina reuniões de vídeo regulares e individuais com seus funcionários diretos. Experimente dar feedback dessa forma, em vez de por e-mail, que pode ser mal interpretado”.

Soma, a essas orientações um pedido: “contrate bons comunicadores. Ao contratar, geralmente focamos em habilidades específicas, experiência prévia e encaixe cultural. Mas quando você está construindo uma equipe remota, é necessário medir as habilidades virtuais também. O trabalho remoto requer boas habilidades para ouvir, colaborar e se comunicar. Converse com os candidatos da mesma forma que você conversa no trabalho durante o processo de entrevista: pessoalmente, por telefone, usando vídeo e e-mail”.

Monitoramento

Para o sócio da Dex Advisors, essa mudança na relação entre empregos e empregadores vai além da Reforma Trabalhista, em 2018, sofrerá novos impactos, com importância semelhante às provadas pela Reforma Trabalhista. Trata-se da implementação completa do eSocial, plataforma criada pelo governo federal para melhorar as condições de trabalho nas empresas, que passou a ser operacionalizada em janeiro deste ano e será realizada em três etapas com cinco fases cada uma, começando pelas grandes corporações, estando totalmente implementada, segundo cronograma, em janeiro de 2019.

“Essa nova estratégia do governo, que é uma ação conjunta da CEF, INSS, Ministério da Previdência Social, Receita Federal e Ministério do Trabalho e do Emprego, visa a simplificar os procedimentos de monitoramento das condições que os trabalhadores enfrentam nas empresas, desburocratizar os procedimentos de emissão de relatórios trabalhistas, pagamento de impostos, disponibilização de informações aos órgãos envolvidos, entre outros”, explica Adriolo.

Juntas, essas medidas – a Reforma Trabalhista e o eSocial – gerarão benefícios que – acredita Adriolo – permitirá redução gradual dos custos de mão de obra, “possibilitando, assim, que o Brasil se equipare aos demais países do mundo e melhore a sua imagem comercial no Exterior”.


Trabalho Remoto: dicas

Cuidados para quem está fora do escritório

  1. Crie algumas fronteiras. Mesmo se você não possui espaço para um escritório em casa, é importante criar um espaço de trabalho dedicado. Se você trabalha no conforto de sua cama, pode ser tentador tirar aquela soneca. (Também pode ser mais difícil dormir quando for a hora certa).
  2. Defina uma rotina. Quando você não precisa perder tempo no trânsito para o trabalho, você ganha de volta um tempo precioso no seu dia. Mas com horas adicionais (e mais flexíveis), você ainda precisa pensar em como estruturar o seu dia. Adotar uma rotina pode deixá-lo mais produtivo e criativo.
  3. Faça intervalos. Pode ser difícil ‘desligar’ quando seu trabalho e sua vida estão acontecendo no mesmo lugar. Mas é importante se lembrar que você pode e deve fazer intervalos. Evite a loucura ao ir para a academia, levar o cachorro para passear ou tomar um cafezinho.
  4. Compartilhe seu status. Não importa se é atualizando seu status na ferramenta de chat ou mandando mensagens, certifique-se de se comunicar com o restante da sua equipe. Se você ficar offline, forneça um contexto sobre o porquê e quando você estará de volta em uma mensagem de ausência.
  5. Transforme o vídeo em um amigo. Pode ser tentador não mostrar o seu rosto (especialmente se você não tirou o pijama ainda), mas quando você puder, experimente fazer reuniões por vídeo em vez de apenas ligações. Interação face a face pode levar a várias pistas não-verbais. Sem o vídeo, você está perdendo todos esses sinais e sua chance de construir relacionamentos.
  6. Pense nos fusos horários. Se você possui um colega de trabalho na Europa que está sempre ficando acordado até mais tarde para suas chamadas semanais, ofereça fazer um rodízio do horário de reunião para que você possa compartilhar a inconveniência de trabalhar em fusos diferentes.

 

Fonte: Aruam Andriolo, sócio da Dex Advisors

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

BOLETIM SEMANAL

Receba o Informativo MundoCoop com as principais notícias do setor cooperativista.

Scroll to top