Sustentabilidade: o desafio de crescer de maneira responsável

Agricultura irrigada e plantio na palha:

Sustentabilidade e desenvolvimento humano elevam produtividade de zona rural paulista

Após 1,5 ano do início da implantação, já é possível avaliar os dados do estudo que visa a compreender os impactos da prática agrícola do plantio direto (ou plantio na palha) e da agricultura irrigada, dentro de uma perspectiva ambiental, social e econômica, que fundamente o debate técnico com órgãos reguladores e sociedade sobre as regras para a agricultura irrigada.

Trata-se de um projeto desenvolvido pela Associação do Sudoeste Paulista de Irrigantes e Plantio na Palha (ASPIPP), com parceria da Cooperativa Agro Industrial Holambra e BASF, com implantação da Fundação Espaço Eco. Após o pioneirismo de alguns agricultores na década de 80 e da atuação da ASPIPP há 17 anos na região do sudoeste paulista, que incentivaram este modelo de agricultura, resultados em sustentabilidade e no desenvolvimento humano à zona rural já são perceptíveis, pois a região paulista que já foi conhecida como o “ramal da fome”, nas décadas de 1970 e 80, hoje, é mencionada como uma região com excelência em produtividade agrícola.

Muito dessa mazela era devido às condições desfavoráveis para implantação de agricultura, principalmente devido à concentração da chuva em alguns meses do ano e dos veranicos (períodos de inverno em que ocorrem temperaturas elevadas). Depois da adoção das práticas agrícolas de plantio na palha e irrigação, a região possui uma produtividade que chama atenção pelos números: “No caso da soja, por exemplo, na atual safra, estão colhendo mais de 50% acima da média nacional que é de 56 toneladas por hectare”, comenta Tiago Egydio Barreto, consultor em Gestão para a Sustentabilidade da Fundação Espaço Eco.

Projeto desenvolvido pela Associação do Sudoeste Paulista de Irrigantes e Plantio na Palha (ASPIPP), com parceria da Cooperativa Agro Industrial Holambra e BASF

Como explica o consultor, a região apresenta totais pluviométricos anuais de 1.200 mm a 1.400 mm, volume que não é pouco, mas com padrão de distribuição desfavorável para a agricultura. Para armazenar água a ser aplicada na agricultura via irrigação, são feitos barramentos: “Essa prática ajuda no manejo inteligente dos recursos hídricos para a produção de alimentos, pois, é possível fornecer água para os cultivos ao longo dos veranicos que ocorrem no inverno, que é uma fase crítica para o desenvolvimento das plantas; e o plantio na palha favorece a atividade biológica de micro e macro fauna do solo, o que gera aumento do teor de matéria orgânica, maior disponibilidade de nutrientes e melhor infiltração da água, resultando em práticas que apoiam a conservação do solo e água”.

Fases

Iniciado em 2016, o projeto, a cada ano, avança e resultados positivos foram observados. No primeiro ano, por exemplo, “foi feito diagnóstico da área de estudo, enfocando na compreensão das práticas agrícolas adotadas pelos associados ASPIPP, quais culturas agrícolas são produzidas e o respeito ao Novo Código Florestal. Após, foi feito um estudo para compreender as percepções dos órgãos técnicos e reguladores, dos produtores rurais associados e demais atores sobre a agricultura irrigada, e a proposta deste estudo é que serviu como base para definição de uma comunicação mais assertiva”, rememora Barreto, comentando que os primeiros resultados percebidos foram relacionados à confirmação do uso de boas práticas agrícolas e respeito ao Novo Código Florestal pelos produtores ASPIPP .

A terceira etapa, iniciada em 2018, envolve a realização de estudo de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) para comparar o impacto ambiental e econômico da agricultura praticada pelos associados ASPIPP com a agricultura tradicional (sem irrigação e sem plantio na palha) realizadas na mesma região, além de estudo da modelagem de diferentes cenários de agricultura e respeito às leis ambientais sobre a conservação do solo e da água, usando ferramentas de geoprocessamento.

“A conservação do solo e água é essencial para continuidade da atividade agrícola. Atualmente, as taxas de erosão aumentam em ordem exponencial e em muitos países, especialmente nos trópicos, há perdas astronômicas de solo por erosão. Em todo o mundo, 11 milhões de km² de terras – área equivalente à dos EUA e à do México – são afetados por altas taxas de erosão. Todos os anos cerca de 75 bilhões de toneladas de solo são perdidos por ser erodido dos ecossistemas terrestres, esta é uma taxa que chega a ser até 40 vezes maior do que a média da formação do solo”, informa o consultor.

 

NOTÍCIAS DO SISTEMA

ESTRATÉGIAS

Com série no YouTube, ABC Bio dissemina uso de Biodefensivos

Um projeto com oito vídeos de acesso livre sobre temas específicos vinculados a aplicação de um conceito ou ferramenta de controle biológico de pragas e doenças que afetam a agricultura brasileira está sendo desenvolvido pela Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABC Bio), com o foco de atender seu tripé fundamental de atuação, fundado na disseminação do conhecimento para assistência técnica no campo, produção de qualidade dos agentes biológicos e logística eficiente que permita que o produto chegue em condições de ser aplicado nas lavouras.

O projeto é realizado em parceria com a AgriLearning e teve início em novembro de 2017. A previsão de finalização é junho de 2018, quando deverá acontecer a liberação do último vídeo, informa Pedro Faria Jr. agrônomo, consultor e ex-presidente da ABC Bio, e um dos responsáveis pela concepção do projeto e elaboração dos vídeos.

Cada vídeo, um tema, e o conjunto reunido em módulos de informação, com a finalidade básica de disponibilizar conhecimento sobre controle biológico, amplia o conhecimento sobre o tema e reduzir o uso inadequado. Assim sendo, os três primeiros vídeos enfatizaram o conceito de biodefensivos e foram sobre controle biológico, controle microbiológico, uso e formulação; os vídeos 4 e 5 trataram de controle macrobiológicos, uso e formulação; os 6 e 7 enfocaram manejo integrado e pragas; e o 8, regulamentação.

Mas o projeto vai além e, brevemente, entrará em nova fase. Como explica Faria, a ideia a partir de agora é produzir módulos de treinamento por tema, com aspectos técnicos, desde o conhecimento do agente de controle da pragas-alvo e da forma de utilizar esses agentes nas pragas. “Cada curso deve ter 40 episódios, com prova online e emissão de certificado”, comenta Faria, lembrando que nessa nova etapa deverá ser investido cerca de R$ 1 milhão.

Os vídeos, com duração de cinco minutos, estão disponíveis para acesso gratuito no canal da ABC Bio no Youtube, com link para acesso pelo site e pela página do Facebook.


Cocamar apoia a evento de moda sustentável

O estabelecimento de relações mais justas e sustentáveis na cadeia da moda é a premissa que norteia a realização da Fashion Revolution Week, semana de moda realizada em 92 países e que este ano, pela primeira vez, aconteceu no Brasil, mais especificamente em Maringá (PR), como promoção do curso de Moda da Faculdade Unifamma.

O evento, sem fins lucrativos, foi aberto à comunidade e teve o apoio do Cocamar que, além de fornecer fios para a produção de roupas de um desfile de moda sustentável, que encerrou o evento, patrocinou a vinda da Francesca Giobbi e equipe para palestrarem no evento – ela é a criadora do selo Fashion4Better, que pretende fomentar práticas justas na cadeia da moda. A cooperativa respondeu, ainda, por palestra sobre Marketing Social e Consumo consciente, ministrada por Denise Rosa, coordenadora de Marketing, na última noite do evento.

“Por ser uma cooperativa, a Cocamar já é essencialmente mais voltada por um modelo de negócio ganha-ganha. Também produzimos fios à base de PET e outros tecidos reciclados, o que reforça um compromisso com sustentabilidade. Dessa maneira, vimos muitas conexões entre a Cocamar e o Fashion Revolution”, comenta Nilton Perazzolo, gerente de fios e Cafés da cooperativa, ressaltando que “cerca de 10% da produção de fios têxteis da Cocamar, que totalizou 7,2 mil toneladas em 2017, são sustentáveis, ou seja, o produto final de um processo de reciclagem de dezenas de milhares de embalagens PET a cada mês. Depois de recolhidas pelos catadores, as mesmas são trituradas e a fibra é adquirida pela cooperativa para a elaboração de fios – usados na indústria de confecções em geral”.

A Fashion Revolution Week – explica Rosa – é um movimento internacional surgido após o desabamento do edifício Rana Plaza, que abrigava confecções de roupas em Bangladesh, que deixou milhares de mortos e feridos no dia 24 de abril de 2013. A proposta visa, também, a desenvolver ações mobilizadoras, incentivando consumidores a questionarem suas marcas favoritas, para saber como são produzidas, fomentando a busca por moda consciente, sustentável, comércio justo e cadeia produtiva limpa.


Estratégias sustentáveis voltadas à beleza

O relatório “Corporate Strategies in BPC” da Euromonitor International, aponta uma série de mudanças tecnológicas promovidas pelos fabricantes do segmento de beleza e cuidados pessoais que impulsionando a demanda por ingredientes mais naturais, além de adicionar novos ângulos a essa ainda indefinida categoria de beleza “verde”.

Ildiko Szalai, analista sênior de beleza e cuidados pessoais da Euromonitor, comenta que os desenvolvimentos digitais e sociais permitiram que consumidores se engajem não apenas com os aspectos dos ingredientes, mas também com a origem, processamento e impacto ambiental do produto, inclusive disponibilizando aos consumidores acesso a informações sobre os produtos além do que está no rótulo, criando, por exemplo, clubes de assinatura e redes sociais ou marketplaces.

 

EVENTOS

Biofach 2018: cooperativas levam orgânicos à Alemanha

Cootap, Coopfam, Cooperacre, Coodapis, Fazenda Bacuri, Reca, Weber Haus, Frutiperola e Coopercuc foram as cooperativas presentes no estande Brasil – Family Farming, apresentando arroz, café, castanha-do-brasil, mel, geleias, licores, polpas e cachaças aos visitantes da Biofach 2018, considerada a maior feira de produtos orgânicos do mundo.

Realizado em Nuremberg, na Alemanha, o evento trouxe resultados expressivos para a comitiva brasileira, organizada pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead): os agricultores realizaram 223 contatos comerciais, e o volume de negócios fechados e prospectados foi de US $ 2,4 milhões, o equivalente a mais de R$ 7,7 milhões.

Dos nove empreendimentos selecionados por meio de chamada pública, três nunca haviam participado da Biofach: Fazenda Bacuri, Projeto Reca e Frutiperola.


O Futuro e as Energias Renováveis: tema de seminário no Pará

Paragominas foi a cidade paraense escolhida para o 2º Seminário de Energia Renovável , que serviu de palco para a assinatura de Protocolo de Cooperação entre as cooperativas Copérnico, a primeira de produção energética em Portugal, e a Coober, pioneira no Brasil, Técnica com os objetivos de ajuda mútua para o desenvolvimento do cooperativismo de energia renovável, assim como de realizar a promoção dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa é inédita no mundo e representa um grande avanço para o segmento.

Participaram do evento mais de 200 pessoas de vários estados, como Amazonas, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso. Realizado pela Coober e pelo Sistema OCB/PA com apoio do MundoCoop, Camta, Sicredi, Absolar, Aneel, Moura, Paranoá Energia, Gasgrid, Copérnico e Prefeitura de Paragominas, recebeu representantes de diversas cooperativas de Belém, como Cooperdoca, Sicoob CrediJustra, Transprodutor.

 

MERCADO

Startup leva investimentos sustentáveis a pequenos investidores

Promover o plantio de florestas comerciais com captação de recursos via crowdfunding é a meta da Radix, startup criada em 2015 e que no ano seguinte realizou o primeiro plantio. Com foco em Mogno Africano – madeira que possui alto valor de venda no mercado internacional -, a empresa faz o plantio de florestas comerciais e capta recursos por meio de crowdfunding. Até o momento, os 30 hectares de Mogno Africano plantados somam 20 mil árvores cultivadas.

Desse modo, ao aplicar, o investidor adquire uma fração de um módulo florestal e tem direito a participação proporcional no saldo comercial da floresta. O investimento mínimo é de R$ 400 e a rentabilidade esperada é de um ganho real de 12% ao ano somente com o incremento biológico das árvores, ou seja, sem levar em conta eventual acréscimo do preço da madeira.

A iniciativa tem apoio técnico no plantio e manejo florestal do IBF – Instituto Brasileiro de Florestas, referência em Mogno Africano no Brasil e responsável pelo fornecimento de mudas para empresa.


Economia verde criará 24 milhões de empregos no mundo até 2030, estima OIT

Ao menos 24 milhões de novos postos de trabalho serão criados no mundo até 2030 se as políticas certas para promover uma economia verde forem implementadas, afirma novo relatório “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2018: Greening with Jobs”, da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com a publicação, a ação para limitar o aquecimento global a dois graus Celsius resultará na criação de empregos muito maior do que o necessário para compensar as perdas de 6 milhões de postos de trabalho em outros setores.


 Diesel B10 está chegando e a demanda por soja aumentando

Em março, o Brasil passou a ter, no óleo diesel de petróleo, a mistura de 10 % de biocombustíveis não-fósseis. Segundo a Abiove, o acréscimo percentual de 8 para 10, representará um incremento na demanda por biodiesel de quase 30 %.

Com a alteração, a demanda passará para quase 6 bilhões de litros de combustível vindo de fontes renováveis, sendo 80 % originário da soja.  Isso representa uma necessidade de produzir cerca de 4 milhões de toneladas de óleo de soja bruto, somente para atender a produção de diesel brasileira neste ano. Além dos ganhos ambientais, estima-se uma economia em divisas na ordem de U$ 2,2 bilhões.

Embora o biodiesel possa ser obtido de diversas espécies vegetais, nenhuma tem condições de produção em grande escala com eficiência igual a sojicultura. Para contribuir com a oferta brasileira, a região do MATOPIBA e Pará produzirá 16,5 milhões de toneladas de soja nesta safra, representando mais de 10 % da produção nacional.


Instituto contribui para reaproveitamento mensal de mais de 200 toneladas de lixo reciclável

O Instituto de Logística Reversa – ILOG, sediado em Curitiba (PR), atua desde 2016 e foi idealizado pelo Sindibebidas do Paraná e com mais de 300 empresas associadas, em 2017, colaborou com reaproveitamento de mais de 200 toneladas de lixo por mês em Centrais de Valorização de Materiais Recicláveis, instaladas nas cidades de Londrina e Maringá, mantidas em parceria com as prefeituras.

Participam do projeto empresase cooperativas tais como Pinduca, Caldo Bom, Frimesa, JBS, Heineken, Pepsico, Castrolanda, Coamo e Famiglia Zanlorenzi, além de entidades como Simpep, Sindilat – RS, Sinpacel e Afrebras.

 

 

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